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O Surgimento do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Paranaguá

EM 1920 O PARANÁ SURGE COMO GRANDE PRODUTOR, NEM HÁ REGULAMENTO PARA EXPORTAÇÃO VIA PORTO DE PARANAGUÁ.

Mas em 1924, cerca de 30 mil sacas chegam ao terminal, tomando o espaço da erva-mate, um otimismo que perdura até 1930, quando irrompe a grande depressão econômica, com largos reflexos no Brasil, provocando um duro revés na cafeicultura paranaense ao determinar a virtual liquidação das culturas regionais nas imediações de Curitiba.

Apesar da crise, a cafeicultura nortista beneficiou-se das medidas protecionistas adotadas pela União, expandindo-se de forma acelerada. Na década de 30 a produção triplicou naquela região (Tramujas-1996).

Em 1929, época da grande crise mundial, segundo estatísticas da época, o café paranaense contribuía com ínfimos 2,1% da produção nacional. Em 1962, esse índice era de 50,03%.

O surto de desenvolvimento que o Estado do Paraná alcançou, a partir de 1930, é destacado por todo estudioso de economia. A construção do porto de Paranaguá está integrada dentro dessa conjuntura, como um de seus elos mais importantes – Produção – transporte – porto, andam juntos e o comércio marítimo depende desses fatores (Morgenstern-1985).

Unindo estatística de várias fontes, podemos organizar o seguinte quadro, referente à exportação paranaense, em sacas de 60 kg mencionando, em alguns anos, o desempenho do Porto de Santos e a produção brasileira.

Em 1961, O café operou uma transformação na fisionomia humana da cidade, transformação esta que se reflete também na feição urbana do velho centro portuário, com as novas construções de cimento e ferro erguendo-se ao lado de antigos casarões deteriorados pelo tempo, cujas paredes de pedras grossas e argamassa transpiravam uma umidade secular que embolora objetos domésticos e até, por que não dizer, algumas consciências.

Com a decadência do ciclo do mate e da madeira que tinham em Paranaguá seu terminal marítimo, condicionando uma série de atividades, que se traduzia nas casas de despachos, agências de navegação, armazéns, trapiches, comissários, etc., auxiliados por um corpo de estivadores pacíficos que confiavam no “bom patrão” e, por isso, não perturbavam a harmonia citadina com reivindicações salariais. A época da erva mate criou barões e viscondes enriquecidos, cujos filhos viveram na impunidade mundana e social própria das pequenas aristocracias locais.

Ainda operando sobre trapiches, o porto começa a receber as primeiras sacas de café, produto da maior importância para a economia brasileira desde que quase todo o mundo tornou-se consumidor da infusão do café.  Dispondo de grande área cultivável, clima propício e terra fértil, o Brasil foi grande beneficiário dessa preferência dos povos. Colocando-se em condições de satisfazer o desejo do comércio internacional desde 1882(início do registro estatístico – Anuário estatístico do café – IBC – 1977), com 6,72 milhões de sacas (Morgenstern-1985).

Os descendentes dessas antigas famílias nobres, juntamente com os descendentes dos imigrantes árabes que se instalaram no comércio litorâneo, formaram a aristocracia do café, a partir do momento em que a rubiácea encontrou em Paranaguá o seu escoadouro para o exterior.

No ciclo do café em Paranaguá, a valorização imobiliária refletiu-se nos altos preços dos aluguéis de casas, inclusive com aproveitamento dos terrenos baldios por homens interessados que se propunham a construir em terreno alheio por um determinado tempo, findo o qual devolviam o imóvel com todas as benfeitorias. Tratava-se de uma inovação em matéria de investimento imobiliário, porque os proprietários dos terrenos não queriam vendê-los, esperando uma maior valorização de seus bens.

Nesta época foram construídos mais de três dezenas de armazéns-gerais, cobrindo vastas áreas, destinados a estocagem de café. Quase dez milhões de sacas eram ali armazenadas, mobilizando um pessoal empregado e deixando na cidade, uma renda mensal, proveniente das taxas de armazenamento. Infelizmente parte dessa renda não ficava em Paranaguá em virtude de muitas firmas proprietárias de armazéns gerais terem sua sede fora da cidade.

Novos hábitos, culturas e tradições foram introduzidos na cidade, com a quebra de velhos padrões tradicionalistas do povo. O hábito dos chefes de família que todas as manhãs iam ao Mercado, onde formavam rodas para o primeiro bate-papo do dia aos poucos foram desaparecendo. Mesmo antigos hábitos religiosos foram sensivelmente transformados após a vinda de padres americanos que assumiram a paróquia local. Tanto a Matriz como a Igreja do Rocio passaram por mudanças substanciais, como a decoração que lembra os templos presbiterianos. Até a tradição da procissão da Virgem do Rocio, com seu andor carregado nos ombros dos fiéis, foi eliminada, pois a milagrosa imagem passou a ser transportada de caminhão, de sorte que muitas promessas ficaram impossibilitadas de ser cumpridas.

A escassez de energia elétrica era um dos problemas que a cidade encontrava, impossibilitando sua expansão, outro grave problema seria o desnível acentuado de salários entre o pessoal empregado nas atividades cafeeiras em relação às demais atividades. O café suportava o pagamento de altos salários, o que não se dava com a administração do Porto, a Prefeitura e outros setores nos quais os salários pagos eram relativamente baixos.

Devido à má distribuição de renda houve uma tendência ao proletariado urbano.

Um dos melhores índices desse baixo nível de vida é o aparecimento de favelas, malocas e cortiços na periferia da cidade bem como a freqüência de pedintes nas ruas. O fenômeno se deve em parte à fuga da população das zonas rurais para o centro urbano, onde encontravam melhores recursos de assistência social e oportunidades de emprego, que no mato eram bem mais escassas.

Depois de tantos anos de estagnação social e econômica, Paranaguá começava a reencontrar o progresso (Revista O Itiberê-Janeiro-1961-Ano XVIII – Nº. 4).