O Surgimento do Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Paranaguá

FOI EM 1952 – MAIS PRECISAMENTE A 18 DE MAIO, QUE OS CARREGADORES E ENSACADORES DE CAFÉ DE PARANAGUÁ ORGANIZARAM, EM BASES ASSOCIATIVAS, A PRIMEIRA ENTIDADE AGREMIATIVA ESPECÍFICA DA CLASSE.

Sua sede administrativa começou a ser construída em 04 de junho de 1960 e concluída em 20 de janeiro de 1963, tendo sido inaugurada pelo Exm°. Presidente da República Dr. João Goulart e Exm°. Governador Ney Braga.

A 1º de maio de 1953, o governo da República lançava o Decreto-Lei 5.422, reconhecendo a Associação e considerando-a como Sindicato, sua transformação ocorreu, entretanto, em 30 de março de 1954, com a presença de autoridades, trabalhadores e diretores da classe.

Durante vários anos, o Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Paranaguá funcionou em instalações precárias, sem deixar seus desígnios em laborioso grupo de operários que ali se congregou.

Trabalhando e defendendo os interesses dos seus associados, o Sindicato concorreu decisivamente para o progresso e engrandecimento da cidade, prestando relevantes serviços ao comércio armazenador, cuja expansão tem sido contínua e sem interrupção.

 

Paranaguá muito deve a este Sindicato, no seu desenvolvimento  e progresso, graças aos esforços de sucessivas diretorias e, ainda, a compreensão e apoio de toda a classe do carregamento e do ensaque (Aziz Mansur – 1964).

 

Segundo o Sr. Nilton Abel de Lima, ex-Presidente do Sindicato, em entrevista à Revista “O Itiberê” (nº17-08/1997) nos conta que esteve em Paranaguá nos anos de 1953 e 1955, não permanecendo porque não havia Sindicato, os operários eram explorados, o trabalho era brutal e o salário era muito baixo. Em 1957, porém retornou à Paranaguá e permaneceu definitivamente na cidade. Participou da chapa que concorria para a presidência no cargo de presidente do conselho fiscal no qual o candidato a presidência era o Sr. João Marques.

Em 29 de setembro de 1958 o Sr. João Marques da Silva tomou posse da presidência do sindicato, seguido por Nilton Abel de Lima e Eurides Vidal como 1º tesoureiro.

As assembléias ocorriam no prédio do Sindicato dos Estivadores, a quantidade de associados de 1954 a 1978 era em média de 2.225 homens.

Iniciou-se na cidade um ciclo de criminalidade, devido aos indivíduos associados advindos de outros estados, geralmente do norte e nordeste. As freqüentes brigas dos associados, motivados por bebidas, mulheres e rixa política, que geralmente aconteciam no ponto de chamada que era chamado de “ponto do rodízio”, geralmente acabavam em morte. Na época havia 2.226 (dois mil duzentos e vinte e seis) ensacadores de café associados, a maioria oriundos de outros estados, a maioria era analfabeta.

Em 24 de junho de 1962, houve nova eleição, os associados queriam mudar a Presidência do Sindicato,  ocorrendo mesmo com a morte do associado (Edivaldo José da Silva) que participava do processo eleitoral, onde o Sr. Nilton Abel de Lima foi eleito presidente, quando concorreu com três chapas, a chapa 3  que era a do Sr. Nilton Abel de Lima foi eleita por 541 votos, a chapa 1 – de Tertulino Franco da Silva, a Chapa 2 – Simão Inácio da Silva, votos em branco: 06, votos nulos 05.

No total participaram desta eleição 879 associados.

Ao tomar posse o presidente Sr. Nilton Abel de Lima criou um regulamento para aqueles que não cumpriam o regimento interno do Sindicato, decidindo acabar com as brigas, com as mortes e com as armas, indo com a polícia no ponto do rodízio desarmar ensacador. Os fiscais eram obrigados a revistar a pasta deles, se tivesse arma este era suspenso do trabalho por três dias a uma semana.

Dessa forma foi se formando uma nova consciência no trabalhador.

Em relação à segurança, conseguiu uma portaria junto ao Ministério do Trabalho, regulamentando a altura de bloco de café, reduzindo sua altura de 45 sacas para apenas 20, diminuindo consideravelmente as mortes por acidentes de trabalho.

Nesta mesma época iniciaram-se as aulas noturnas para adultos, numa escola que funcionava dentro do Sindicato. As aulas eram ministradas por três professoras, a maior parte destes alunos deu continuidade aos estudos.

O que poucos sabem, é que além dos dramas políticos, dos golpes financeiros, das táticas comerciais, das batalhas econômicas, havia ainda o drama das catadeiras de café, conhecidas como “pianistas” no meio ambiente. A função delas era limpar o café, fazer justamente aquilo que as máquinas não faziam porque as máquinas não tinham noção de responsabilidade.

Em 08 de julho de 1962 em Assembléia realizada para admissão de novos sócios, foi assinada ata que a partir daquela data passaria a ser exigida ficha de antecedentes criminais junto a órgãos competentes, sendo estipulado prazo de sessenta dias para a regularização de todos os associados no fichário do sindicato. A cidade passou por muitas mudanças, os moradores voltaram a freqüentar a igreja e os bares da cidade, e podiam sair às ruas sem medo.

Devido à decadência do café e a entrada de novos ciclos econômicos como o milho, soja, algodão, etc., o Sindicato perdeu grande parte de sua força.

Em 14 de julho de 1987, foi alterada a razão social de Sindicato dos Carregadores e Ensacadores de Café de Paranaguá para Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral de Paranaguá.